Os impactos da ansiedade no processo ensino-aprendizagem
Postado em 24 de junho de 2022
Muito se fala sobre ansiedade em adultos, mas pouco se fala sobre os transtornos de ansiedade infantil, apesar de esse ser um problema preocupante.
Uma certa ansiedade é necessária para impulsionar qualquer indivíduo a uma ação. Uma ansiedade moderada pode aumentar a motivação e intensificar o estado de alerta e de concentração, melhorando o desempenho. Já uma ansiedade excessiva pode propiciar prejuízos no processo ensino- aprendizagem.
Além das questões gerais da ansiedade, como dificuldade nas relações sociais e problemas na sua organização diária, a criança também pode sofrer impactos na vida escolar.
Vários fatores no ambiente escolar podem contribuir para o desenvolvimento da ansiedade. Muitas vezes os professores criam expectativas não realistas quanto ao desempenho de seus alunos, bem como promovem um clima de pressão no tempo para realização de tarefas, além da comparação social.
É nesse momento que entra a relação entre a ansiedade nas crianças e o processo de aprendizagem. A criança pode acabar apresentando dificuldades de atenção e concentração.
Além disso, a mente ansiosa também pode gerar uma redução na capacidade de memória. Essa situação atrapalha a criança no momento de ter novos aprendizados e conseguir relacioná-los com coisas que aprendeu antes. E isso pode ter grande impacto na atenção e foco no ambiente escolar.
A infância, de maneira geral, é um momento em que construímos nossa identidade e nossa forma de entender o mundo. Assim, se a criança estiver sempre ansiosa e sem receber apoio, pode generalizar esse sentimento para o restante de suas experiências.
É comum vermos jovens, e até adultos, que se sentem incapazes de aprender coisas novas por terem tido experiências ruins na infância e não receberem o suporte adequado.
Sendo assim, os professores podem estar atentos a alguns sinais de ansiedade nos alunos: preocupação excessiva com pequenas coisas e dificuldade em explicar essas preocupações; querer fazer tudo perfeito; relutância em pedir ajuda; dificuldades de concentração; grande necessidade de aprovação e reforço do professor; dificuldade em participar nas atividades da sala de aula; queixas físicas recorrentes (por exemplo, dores de cabeça ou dores de barriga); medo das situações de avaliação.
Os professores podem fazer algumas alterações e utilizar estratégias que facilitem a vida dos alunos com ansiedade, tais como: identificar, em conjunto com o aluno, um “lugar seguro” onde ele possa se dirigir quando se sente ansioso (pátio, jardim da escola, uma volta para tomar água), definindo regras para o uso adequado desses locais; ensinar estratégias e técnicas de relaxamento que possam ser usadas na escola com toda a turma; oferecer atividades alternativas que possam “distrair” o aluno dos sintomas físicos de ansiedade; oferecer apoio na interação entre pares, encorajando interações em pequenos grupos; elogiar os esforços para lidar com a ansiedade.
É importante fazer com que o aluno sinta-se bem com o ambiente em que está inserido, como também seguro e confiante, valorizando suas conquistas e mostrando o quanto dá valor ao seu esforço e potencial. Esse tipo de atitude ajuda o mesmo a desenvolver a sua autoconfiança.






