O brilho da generosidade
Postado em 31 de outubro de 2025

Sabe aqueles gestos que a gente faz, que nascem de um lugar tão profundo no coração que carregam um valor que palavra nenhuma descreveria? Para mim, são pequenos pedaços de alma que se oferecem, feitos de tempo, de silêncio, de uma entrega genuína, sem esperar nada em troca. E, que dor, ver tanto carinho e entrega escorrerem pela indiferença alheia, não é? Dá um aperto no peito quando o que é precioso se perde no chão frio do desinteresse. É como se vivêssemos num mundo onde as palavras se multiplicam lançadas ao vento, mas o “obrigado”, o “eu vi”, o “isso fez diferença” se tornaram joias raras. Os discursos são vastos, mas o reconhecimento? Ah, esse anda em falta. A gratidão, essa flor que tanto prezo, parece murchar por falta de cuidado, ou quem sabe, por tanto barulho. E mesmo assim, lá vamos nós, teimosos em nossa humanidade, persistindo em oferecer, em estender a mão, mesmo quando a única resposta é o silêncio.
Lembro-me de um antigo e, por vezes, mal interpretado alerta: “não devemos atirar pérolas aos porcos”. E não é sobre ser arrogante, nem um pouco! É sobre um cuidado quase maternal com o nosso próprio coração e com o que de mais valor ele produz. Afinal, nossa ‘pérola’, seja ela um conselho sincero, um abraço apertado, um tempo dedicado, nasce de um lugar profundo, muitas vezes da nossa própria superação, da paciência que cultivamos, da forma como transformamos nossas feridas em algo belo e útil. É preciso sim, um discernimento amoroso. Escolher com o coração escancarado, mas com os olhos bem abertos, onde vamos depositar essa parte tão íntima de nós.
Mas, sabe, existe algo que transcende tudo isso, algo que me toca profundamente: a graça. Aquele presente inesperado, aquele apoio que surgiu do nada quando a gente mais precisava, sem que tivéssemos feito nada para ‘merecer’. É aí que reside a magia! Essa graça nos chama para uma resposta que vem do fundo da alma, um transbordamento genuíno de generosidade. Minha gratidão não é uma balança de trocas; é um rio que transborda, que quer alcançar e tocar o maior número de corações possíveis, com gestos gratuitos, desinteressados, assim como a graça me alcançou.
Então, não, não é sobre parar de oferecer o nosso melhor, as nossas pérolas. É sobre aprender a ser gentil conosco, a guardá-las, sim, mas não com mesquinhez, e sim para quem realmente enxerga a luz, o brilho que vem da nossa alma. Porque o verdadeiro valor do que emana de nós não está apenas na pureza do nosso gesto, mas também na sensibilidade de quem o acolhe, na reciprocidade de um olhar que diz: “Eu vejo você, e sou grato”. E se, no fim das contas, a dúvida pintar e o coração apertar sobre onde colocar o que temos de mais precioso, eu me permito a te dizer, ofereça com a totalidade do seu amor, sim. Mas escolha com a sabedoria que a vida te deu. E o resto? Ah, o resto, meus amigos, pode deixar que a graça divina, ou o universo, ou o que você acreditar, se encarrega de organizar. Apenas confie.
Por: Paulo Demétrio Volpi Ramos
Diretor do Colégio Hipercubo Bilíngue
30 anos de experiência na educação, trabalhando no Ensino Superior, na Secretaria da Educação de São Paulo e nos principais colégios particulares do Estado de São Paulo
Formação:
- Pós-graduação em Gestão Escolar – USP
- Pós-graduação (especialista) – Universidade Guarulhos – UnG. (História: política, cultura e sociedade).
- Pós-graduação – Práticas Pedagógicas Inclusivas – Faculdade Do Estado De São Paulo
- Licenciatura plena em História – Universidade Guarulhos – UnG.
- Licenciatura Plena em Geografia – Universidade de Minas Gerais
- Bacharel em Teologia – Faculdade Cristã Ibebense de Teologia/ IBB
- Convalidação em Bacharel em Teologia – UNIFAI – Pontifícia Faculdade Católica
- Licenciatura Plena em Pedagogia – UNINOVE





