O intestino como seu segundo cérebro

Postado em 27 de agosto de 2025

A cada dia, a ciência nos revela um novo capítulo sobre como o intestino, apelidado de “segundo cérebro”, é essencial para nossa saúde física, emocional e mental. Pesquisas recentes reforçam que mais de 100 milhões de neurônios formam o sistema nervoso entérico, capaz de operar de forma independente, comunicando-se diretamente com o cérebro pelo nervo vago.
Este elo entre intestino e cérebro, chamado eixo microbiota-intestino-cérebro, é composto por redes neurais, hormonais e imunológicas. As bactérias intestinais produzem neurotransmissores como serotonina (90% no intestino), dopamina e GABA, substâncias diretamente ligadas ao humor, à motivação e ao controle do estresse .
Além disso, o intestino produz ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs) e metabólitos que regulam desde o sistema imunológico até a permeabilidade intestinal e a inflamação no sistema nervoso central. Distúrbios na microbiota, a chamada disbiose, têm sido implicados não só em doenças gastrointestinais, como a síndrome do intestino irritável, mas também em transtornos neurológicos e psiquiátricos, como depressão, ansiedade, Alzheimer e Parkinson.
Nos primeiros três anos de vida, nos formamos nossa microbiota intestinal, um momento crítico para o desenvolvimento neurológico e imunológico. Pesquisadores identificaram que a diversidade microbiana está associada ao desenvolvimento de funções cognitivas, motoras e emocionais.
Mas o que isso significa no dia a dia? A alimentação desempenha papel central: dietas ricas em fibras, polifenóis e ômega 3 favorecem espécies benéficas como Lactobacillus e Bifidobacterium, que fortalecem barreiras intestinais e modulam a liberação de neurotransmissores. Já hábitos ocidentais, com excesso de açúcares e alimentos ultraprocessados, promovem disbiose e inflamação crônica.
Profissionais de saúde estão utilizando probióticos e prebióticos, além de emergentes terapias como transplante de microbiota fecal (FMT), com resultados promissores em infecções resistentes como Clostridioides difficile e alterações. Ainda assim, a comunidade científica ressalta que estudos mais amplos e específicos são necessários.
Dicas práticas para cuidar do seu “segundo cérebro”:

  • Priorize fibras e alimentos fermentados (como iogurte).
  • Reduza ultraprocessados e açúcares.
  • Inclua ômega 3 (presente em peixes, nozes e linhaça).
  • Prefira alimentos frescos e naturais ao invés de industrializados.
  • Mantenha hábitos saudáveis: sono regular, exercícios físicos, controle do estresse.
  • Evite uso indiscriminado de antibióticos, que destroem bactérias benéficas.
    Em resumo, o intestino não é apenas uma “usina de digestão”: ele registra o que comemos, percebe nosso estado emocional e comunica-se intensamente com o cérebro. Cuidar da microbiota é, hoje, sinônimo de preservar a saúde do corpo e da mente.
    Afinal, nutrir seu intestino é nutrir sua mente, e construir um alicerce sólido para viver melhor, por dentro e por fora.
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