Foco na boca com olhar sistêmico
Postado em 24 de fevereiro de 2025

Muitas pessoas já ouviram a frase “a saúde começa pela boca”, mas talvez não tenham ideia do quanto ela é verdadeira. Além de a mastigação ser responsável por iniciar o processo de digestão dos alimentos — única fonte natural de energia para o organismo —, doenças da boca podem levar a complicações em outros órgãos, como o coração, ou até contribuir para o desenvolvimento de doenças graves, como diabetes e câncer, a partir de processos inflamatórios crônicos.
Uma digestão eficiente é essencial para o bom funcionamento do organismo. Para isso, é preciso mastigar bem e consumir alimentos saudáveis, ricos em fibras, proteínas e vitaminas — nutrientes indispensáveis para a nossa saúde.
Pense na mastigação como uma linha de montagem: cada dente, com suas diferentes formas, tem uma função distinta na formação do bolo alimentar, a massa pastosa resultante da trituração dos alimentos para a digestão. Assim como em uma cadeia produtiva, a falha em um dos setores ou fases do processo resultará em um produto deficiente. No caso da mastigação, a falta de um ou mais dentes pode acarretar a redução da capacidade de cortar, lacerar ou triturar a comida da maneira adequada. Se os nutrientes não são devidamente quebrados em pequenas partículas, o corpo tem dificuldade em absorvê-los durante a digestão. Isso resulta em uma menor capacidade de extrair vitaminas e minerais dos alimentos, o que pode comprometer a imunidade e outras defesas naturais do organismo.
Cuidar dos dentes, das gengivas e do osso que os sustenta é, portanto, essencial. Além disso, manter o alinhamento correto dos dentes é importante para que os movimentos que fazemos com a boca durante todo o dia ou durante o sono não provoquem o “amolecimento” e a perda de dentes, dores de cabeça, pressão ou “zumbido” nos ouvidos e até mesmo dores posturais, com reflexo no pescoço.
Vale lembrar que os dentes são órgãos do corpo e, como tal, possuem vasos sanguíneos que se comunicam com o restante do sistema circulatório. Infecções dentárias podem permitir que bactérias entrem na corrente sanguínea e afetem outros órgãos. A endocardite bacteriana é um bom exemplo, pois ocorre quando bactérias da boca atingem as válvulas do coração, comprometendo sua função e, em casos graves, levando ao óbito.
Cada vez mais, pesquisas mostram que doenças na gengiva e no osso que sustenta os dentes, conhecidas como doenças periodontais, estão relacionadas a uma série de problemas de saúde, como partos prematuros, câncer, doenças renais, diabetes e outras condições crônicas. A doença periodontal começa com um simples sangramento gengival e, em muitos casos, evolui de forma silenciosa, tornando-se um processo inflamatório crônico que pode contribuir para o agravamento de doenças importantes do corpo.
A melhor maneira de prevenir tudo isso é simples: faça visitas regulares ao dentista, mantenha dentes e gengivas saudáveis e substitua dentes perdidos por próteses ou implantes. Essas atitudes são essenciais para a saúde, não só da boca, mas também do corpo todo.
Por: Marcos J. S. Costa
Cirurgião dentista formado em 1984;
Diretor Clínico da DUOCON – Consultoria e Odontologia,
Responsável pelo Serviço Odontológico do Centro Médico São Lucas.





