A influência dos jogos eletrônicos e o papel dos pais e responsáveis na educação dos filhos

Postado em 19 de outubro de 2022

Tenho certeza que você, mãe ou pai, já presenciou ou está vivendo essa realidade dentro do seu lar, principalmente por conta dos avanços tecnológicos e do tempo da pandemia e do lockdown, onde a cultura dos games, jogos on-line e uso excessivo de eletrônicos chegou mais forte do que nunca.
Uma pesquisa de NPD Group mostrou que 82% da população brasileira entre 13 e 59 anos joga algum jogo on-line, seja no celular, PC, vídeo game ou tablet.
Por mais que esta seja uma realidade vivida diariamente, os cuidados com esses jogos não podem ser deixados de lado, é necessário ficar atento aos impactos que podem ser gerados, principalmente pelo uso ilimitado.
Existe uma resposta fisiológica para o “vício em jogos”. Quando se joga é comum as crianças/adolescentes relatarem bem estar, e isso é explicado, pois enquanto jogam são liberadas no organismo quantidades significativas do neurotransmissor dopamina, hormônio da felicidade que provoca a sensação de prazer, satisfação e aumenta a motivação, e o excesso da liberação desses neurotransmissores pode causar uma dependência e, por isso, o vício.
Mas os jogos em si não são os vilões, existe um lado positivo, pois permitem à criança ou adolescente desenvolver maior capacidade analítica e estratégica, características cada vez mais necessárias nos dias de hoje.
Vou deixar aqui algumas estratégias para te ajudar a identificar o que está acontecendo e como gerenciar isso da melhor maneira:
1. Tente identificar se os jogos são realmente o problema, pois muitas vezes a criança/adolescente pode mergulhar nesse universo virtual para fugir de uma realidade, seja ela depressão, conflitos familiares, bullying, ansiedade, solidão ou outros problemas emocionais e sociais.
2. Conversem! Parte da conversa exige escuta, sem julgamentos e pré-conceitos, busque se conectar ao seu filho, mostre curiosidade, interesse em seus interesses, passe um tempo de qualidade juntos e quando este vínculo estiver seguro pergunte: “De 0 a 10 como você acha que está gerenciando seu tempo? Deixando claro que não é um julgamento, deixe-o confortável para honrar e expor seus sentimentos e autonomia.
3. Esteja por dentro dessa realidade virtual. Você sabe quais jogos seus filhos têm jogado? Se dentro do jogo tem chat? Espaço para conversa? Tem-se limite de idade? Do que se trata esse jogo? É muito importante estarmos atentos a esses detalhes. Um jeito legal de ter essas informações é mostrar interesse pelo jogo, pedir para seu filho te ensinar, explicar as jogadas e etc. Infelizmente existe um mundo muito obscuro no virtual e todo cuidado é pouco.
4. Desperte-o para a responsabilidade e não force nada. A proibição nem sempre é o caminho, muitas vezes a resposta é ainda mais negativa, experimente mostrar que maus hábitos geram consequências, principalmente a longo prazo, ajude-o a pensar nas consequências e desvantagens que esse hábito pode gerar, como, por exemplo, trocar o dia pela noite.
5. Convide-os a experimentar e descobrir seu próprio modo de discernir entre “jogar de modo não saudável” e “jogar de modo saudável”, tentando uma breve experiência de abstinência ao jogo, por exemplo, e registrar e perceber o que se passa com ele durante esse momento de ausência. Após isso, converse abertamente como ele(a) se sentiu. Se foi fácil ou difícil. Tedioso ou leve.
6. Dar responsabilidade e confiar no seu filho(a) é algo transformador, seja na divisão de atividades domésticas, como colocar a mesa do jantar, arrumar o quarto, lavar a louça, levar o pet para passear, pois sendo permissivo e subsidiando as escolhas do seu filho, proporcionando os equipamentos necessários, ambiente confortável, comida pronta sem o senso de participação, pode influenciar ainda mais nesse uso excessivo de jogos.
7. Limite o tempo de uso. Não proíba, faça acordos, estabelecendo um equilíbrio entre limites e conselhos: “vamos melhorar a qualidade do uso do seu tempo, o que acha? Que tal você jogar x horas por dia e x horas nos fins de semana – desde que você cumpra com suas responsabilidades aqui em casa, que suas notas estejam boas e as lições de casa estejam terminadas? Com isso você poderá jogar tranquilamente e com muito mais foco”.
A melhor forma para ajudar nossos filhos e influenciá-los para melhor é nos conectarmos a eles, estabelecendo um vínculo baseado no amor e respeito, mantendo limites razoáveis, procurando ser gentil e firme ao mesmo tempo, com o objetivo de ajudá-los a aprender a reconhecer as consequências dos atos e escolhas em sua própria vida.

Por: Larissa Villela
Psicóloga clínica, psicóloga no colégio Hipercubo, palestrante, especialista pelo CEPSIC – HC – USP
CRP 06/119026
Foto: Freepik
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