Vivendo em um novo tempo

Postado em 12 de julho de 2021

Estamos vivendo um novo tempo, um tempo diferente. Diante de todas as mudanças estamos passando por novos momentos e nos deparando com emoções e pensamentos que, por vezes, tem fugido ao nosso controle. Diante da luz da psicologia vamos tentar entender um pouco melhor toda essa situação e propor mudanças no dia a dia que possam favorecer um estado de saúde mental, com melhor qualidade de vida, durante a pandemia e confinamento.
Importante entendermos que a OMS (Organização Mundial da Saúde) estabelece a saúde não somente como a ausência da doença; mas também o bem-estar biopsicossocial; ou seja, não é questão somente de ser ou não ser contaminado com a COVID-19, mas também garantir que estes três pilares de alguma forma estejam alinhados e saudáveis; portanto o biológico, o psicológico e o social devem ser levados em consideração. Quando se fala da contaminação pelo novo coronavírus estamos falando da parte biológica adoecendo; quando falamos das crises de ansiedade, pânico e depressão que tem crescido estamos falando do adoecimento do pilar psicológico e, por fim, quando falamos do confinamento estamos entrando no pilar social.
A OMS já havia alertado que o ano de 2020 seria marcado pela depressão assumindo o primeiro lugar como doença mais incapacitante do mundo mesmo antes da pandemia que estamos enfrentando. Crises de ansiedade e sintomas de pânico têm crescido e os relatos sobre a saúde mental neste momento são preocupantes. Cresce dia a dia o número de pessoas relatando sentir os sintomas característicos de uma gama considerável de transtornos mentais. Diante de tudo isso é importante estabelecermos hábitos saudáveis; vivemos uma mudança abrupta em nossos hábitos diários e isso já causa alterações emocionais significativas, principalmente nos primeiros dias; mas agora com a extensão da quarentena as preocupações com o futuro têm assumido o comando dos pensamentos e gerado sintomas.
Vamos para algumas dicas importantes:
– Horários regulares para acordar, refeições, produzir, lazer e dormir são extremamente importantes para que seu cérebro enfrente essas mudanças com mais facilidade;
– Evite o excesso de informações, escolha um horário do dia e se informe, mas nada de muita informação; o excesso de informações vai criando novas conexões entre os neurônios e servem de gatilhos para emoções como medo e ansiedade;
– Encontre momentos que propiciem prazer dentro do seu lar;
– Seja produtivo, diversos cursos estão sendo oferecidos de maneira gratuita, procure um que faça sentido para sua vida e aproveite;
– Faça um pote de gratidão e toda noite coloque pelo menos um motivo pelo qual você pode agradecer pelo dia que teve; isso cria conexões importantes para sua saúde mental e ainda ativa a sua atenção seletiva que buscará durante o dia fatos que você poderá utilizar no pote;
– Viva o presente; evite pensamentos que te levam ao futuro que você não pode prever e tampouco controlar; geralmente estes pensamentos são catastróficos e potencializam os sintomas;
– Mantenha sua atenção naquilo que você pode controlar, métodos de higienização, cuidados ao sair de casa;
– Controle sua respiração, inspire pelo nariz em 3 segundos, segure o ar 3 segundos e expire pela boca em 6 segundos.
É importante lembrar que ansiedade e medo são necessários para nossa vida e tem função protetiva, entretanto por vezes tornam-se disfuncionais e, portanto, precisamos nos acostumar a viver com eles e entendê-los melhor.
É momento de nos reinventarmos, ter resiliência e nos adaptarmos ao novo mundo que foi impulsionado por este vírus, podemos sair muito melhores depois disso tudo. Um novo mundo com as mesmas pessoas reinventadas. Como diria Darwin, “não são os mais fortes ou os mais inteligentes que sobrevivem, mas os que são mais adaptáveis”.
Essa fase vai passar e logo estaremos todos juntos, aproveite para descobrir uma nova vida neste momento. Não enxergamos o mundo do jeito que ele é, enxergamos o mundo do jeito que nós somos.

Psicólogo André Novaes – CRP 06/107695
Whatsapp: (11) 98051-1915
Consultor Comportamental no Colégio Hipercubo
Graduado em Psicologia; mestrando em psicogerontologia; pós-graduado em Terapia Cognitivo Comportamental para múltiplas necessidades terapêuticas; em Psicologia Social; em Gestão de Pessoas e Liderança e em Psicologia Organizacional.
Foto: Freepik

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