Obesidade infantil: uma doença agravada com a pandemia

Postado em 10 de agosto de 2021

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 20% das crianças brasileiras são obesas e aproximadamente 32% dos adultos acima de 18 anos no País estão com excesso de peso. Um cenário suficientemente preocupante e que se agravou com a chegada da pandemia.
A falta de atenção e cuidado com a alimentação, somada a um estilo de vida sedentário é o que contribui para estes dados. E as consequências destes índices são as doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, colesterol alto, além de problemas relacionados com a falta de nutrientes, porque é comum que quem não tem uma alimentação saudável coma muitos produtos industrializados, pobres em vitaminas e minerais e ricos em gordura e açúcares.
A obesidade é um grave problema de saúde pública e claramente está se tornando uma epidemia mundial. O ministério da saúde aponta que a melhor maneira de driblar este problema é ainda no primeiro ano de vida, quando o indivíduo começa a se relacionar com a comida, expondo-o às variedades alimentares, priorizando as frutas, verduras e legumes.
Você sabia que crianças que são apresentadas à rotina alimentar inadequada desde cedo tendem a ter mais dificuldades em reeducar a alimentação na vida adulta? Já crianças que são incentivadas desde pequenas a fazerem escolhas alimentares mais saudáveis apresentam mais facilidade em manter esse hábito por toda a vida, refletindo na sua saúde ao longo dos anos.
Na infância e adolescência, uma alimentação saudável é indispensável para o crescimento e desenvolvimento físico e cognitivo adequado (maturação óssea, capacidade respiratória e circulatória, desenvolvimento motor, desenvolvimento e manutenção da imunidade, concentração, memória e aprendizado). Além de fornecer energia para as atividades do dia a dia, refletindo imediata e futuramente na saúde e bem-estar. Infelizmente, o que vemos hoje são crianças desenvolvendo doenças que são comuns em adultos e adultos com doenças que só se desenvolveriam na terceira idade. O papel da nutrição é justamente prevenir e interromper este padrão, trazendo informações claras, orientando e realizando acompanhamento clínico e ambulatorial e se fazendo presente em outros ambientes, como escolas, por exemplo.
A escola é um ambiente muito favorável ao contato com a alimentação saudável, onde trabalha-se diretamente com as crianças e indiretamente com suas famílias, que têm o papel de perpetuar os bons hábitos aprendidos no ambiente escolar. Os colégios devem dar continuidade a essa ideia, incentivando e favorecendo a educação nutricional, além da prática de atividade física.
A alimentação saudável deve fazer parte do cotidiano para que não tenhamos receio dos alimentos in natura, porque afinal de contas a maioria da população não tem medo dos produtos ultraprocessados que tanto nos prejudicam.

Confira a seguir uma lista contendo 10 hábitos fundamentais para uma alimentação saudável:
1. Coma devagar, mastigando bem os alimentos e sem distrações.
2. Faça pelo menos 3 refeições principais (café da manhã, almoço e jantar).
3. Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma mais natural.
4. Substitua preparações fritas por assadas, grelhadas, cozidas ou refogadas. Dê preferência às carnes brancas (frango e peixes). E ao consumir carne vermelha, prefira as mais magras (filé mignon, patinho, maminha, coxão mole, lagarto) e sem gordura aparente.
5. Consuma diariamente frutas, legumes e verduras, especialmente as folhas como alface, agrião, rúcula, almeirão, entre outras.
6. Reduza o consumo de alimentos gordurosos, como creme de leite, sorvetes cremosos, queijos amarelos, carnes com gordura aparente, bacon e os embutidos como salsicha, mortadela, presunto, peito de peru, salame e linguiça.
7. Substitua os temperos industrializados pelos naturais, como: salsinha, cebolinha, páprica, manjericão, coentro, louro, limão, pimenta, orégano, alecrim, alho e cebola.
8. Não exagere no consumo de açúcares, como doces, chocolates ao leite, bebidas alcoólicas, refrigerantes e sucos industrializados.
9. Controle o consumo de massas, pães e cereais, evitando 02 tipos desses na mesma refeição, como arroz e macarrão, arroz e batata, macarrão e pão, e dê preferência aos integrais.
10. Multiplique o seu peso por 35, o resultado desta conta representa quantos ml de água você deve consumir por dia, aproximadamente. Conte com garrafinhas de água para ajudar a atingir sua meta de hidratação diária.

Thayna Said
CRN 3 – 58.201
Nutricionista do Colégio Hipercubo.
Especialista em Nutrição Clínica e Pediátrica, pelo HC FMUSP.
Foto: Freepik

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