Refluxo gastroesofágico

Postado em 18 de dezembro de 2019

O refluxo gastroesofágico é um fenômeno muito comum e seu principal sintoma é a azia.
O conteúdo do estômago refluído, agindo sobre a mucosa do esôfago, provoca a Esofagite de Refluxo.
O fato do conteúdo gástrico ter um pH mais ácido que o do esôfago é que promove a sensação de queimação frequente a que os portadores da doença tanto se referem.
Além da azia, outros sintomas podem ocorrer, como:
• Dor na região retroesternal (“boca do estômago”);
• Regurgitação do suco gástrico pela boca;
• Vômitos;
• Sensação de boca azeda;
• Sensação que o alimento está “parado” na região do esterno;
• Dor ao engolir (em fases mais adiantadas da doença);
• Sintomas respiratórios em que a tosse persistente e rouquidão são os mais comuns.

Por que isso ocorre?
Na maioria das vezes há uma falha na “válvula reguladora” existente entre a junção do esôfago com o fundo do estômago, o que faz com que ocorra retorno do conteúdo do estômago para o esôfago. O perfeito funcionamento dessa válvula não permitiria o retorno de alimentos ou suco gástrico.
Principais fatores que contribuem para a doença do refluxo:
• Obesidade;
• Gravidez;
• Hérnia de hiato (condição em que ocorre um deslizamento de parte do estômago para dentro do tórax).

Diagnóstico
Além dos sintomas referidos pelo paciente, alguns exames auxiliam muito:
• Endoscopia Digestiva Alta, que visualiza o grau de agressão ácida no esôfago, flacidez do hiato esofageano e às vezes até agressão às cordas vocais;
• pHmetria, sendo este capaz de medir a acidez presente na transição entre esôfago e estômago, em 24 horas. Recentemente desenvolveu-se a Impedâncio-phmetria, que tem a capacidade de medir todo e qualquer refluxo, seja este ácido ou não;
• Manometriaesofagiana, que avalia a pressão da “válvula” existente na transição entre esôfago e estômago.

Tratamento clínico
Visa diminuir o refluxo e a esofagite através de medidas dietéticas e medicamentosas.

Hábitos alimentares
• Realizar refeições em pequenas quantidades ao longo do dia, evitando líquidos nesse momento. O ideal é ingerir líquidos 1 hora antes da refeição ou duas horas após;
• Evitar bebidas com gases (refrigerantes, cerveja etc), assim como café, chocolate, tomate, frutas ácidas, gorduras, menta e anis;
• Realizar a última refeição do dia pelo menos 3 horas antes de se deitar.

Medidas higiênicas
• Perder peso e assim reduzir a pressão intra-abdominal;
• Dormir com cabeça e tronco elevados por meio de dois ou mais travesseiros, evitando assim o refluxo;
• Não utilizar cintas abdominais ou roupas muito apertadas por cintos.

Medicamentos
Chamados de inibidores de bomba de prótons, são potentes bloqueadores da secreção ácida do estômago, diminuindo a agressão pelo refluxo da mucosa esofagiana.

Cirurgia
A cirurgia corretiva desta doença deve sempre ser utilizada na falha de todos os tratamentos clínicos e ocorre na minoria dos casos.
De todas as medidas faladas até aqui, importante reforçar a perda de peso, que, além de diminuir a pressão interna pela gordura das vísceras, contribui fortemente para a prevenção de diabetes, hipertensão e doenças das articulações, principalmente sobrecarga dos membros inferiores e o fracionamento das refeições em intervalos menores e em poucas quantidades.

Por: Dr. Paulo Fernando Camelo Nunes
CRM 66224
Mestre em cirurgia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
Especialista em videolaparoscopia pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica
Contato: 4858-1081 / 3502-6200

Compartilhar

Outros Posts