A metáfora da pipoca

Postado em 31 de outubro de 2018

Toda dificuldade traz sempre uma grande lição. Embora a gente procure remédios para as dores do mundo, é preciso coragem para encarar o fogo (dor e desafio) que algumas vezes se coloca à nossa frente. Nos momentos de medo, quando a oportunidade de sair do casulo se apresenta, é preciso humildade para admitir que não é o dono da verdade, ter a coragem para libertar-se de velhos hábitos e de dar um salto no vazio rumo à transformação, para que se possa nascer de novo para a verdadeira natureza e para quem, realmente, se é.
A transformação do milho duro em pipoca macia é o símbolo da grande transformação por qual deve passar o ser humano, para que ele venha a ser o que deve ser. O milho da pipoca não é o que deve ser, porque, na verdade, ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca é o ser humano: duro, quebra dente e impróprio para comer, mas, pelo poder do fogo pode, repentinamente, se transformar em outra coisa – voltar a ser criança. Por outro lado, o milho que se recusa a sair da casca e estourar (mesmo sob fogo ardente) fica piruá – duro e triste, como a pessoa inflexível que se recusa a mudar e permanece igual à vida inteira, por ter a convicção de que o jeito dela é o melhor jeito de ser. Mais cedo ou mais tarde, todo ser humano passará pelo fogo, cabendo, no entanto, a cada um decidir viver como pipoca ou morrer como piruá. A escolha é de cada um.
Conforme trecho do conto de Rubem Alves, que relato abaixo, somente o milho duro que passa pelo fogo se transforma em uma flor branca macia: “A transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca para sempre”.
Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira, são pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem, pois acham que o seu jeito de ser é o melhor do mundo. Mas, de repente, vem o fogo: é quando a vida nos lança numa situação que nunca se imagina e, então, vem a dor. Pode ser fogo de fora, como perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre etc. ou pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão – sofrimento cuja causa se ignora.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, ficando cada vez mais quente lá dentro, pense que a sua hora chegou – vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente, não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece. ‘Pum’! E ela aparece como outra coisa, completamente diferente, de um jeito que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como uma borboleta voante. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. “Morre e transforma-te” , dizia Goethe.
A presunção e o medo de cada um são a dura casca do milho que não estoura e o destino dela é triste – vai ficar dura a vida inteira. Não vai se transformar na flor branca e macia e não vai dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada e o seu destino é o lixo.
Quanto às pipocas que estouraram: são adultos que voltaram a serem crianças e sabem que a vida é uma grande brincadeira.
E quanto a você, caro (a) leitor (a), já estourou ou o seu destino é ser um piruá?

Por: Cândida Possebon
Profissional & Self Coach
Certificado 6097 – IBC Instituto Brasileiro de Coaching
Formação em Coaching Assessement
Formação em Coaching Ericksoniano (Hipnose)
Pelo Instituto Health Coaching
Pós Graduada em Emagrecimento
www.candidapossebon.com.br
Contato: (11) 97450-7135

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