Fitoterapia Chinesa

Postado em 29 de outubro de 2018

A fitoterapia chinesa é uma das modalidades de tratamento adotadas pela Medicina Tradicional Chinesa (MTC). Sua origem vem da mesma época em que se fundaram as bases teóricas da MTC. Apesar de o termo chinês ser traduzido em geral como fitoterapia ou medicina herbal, esta forma de tratamento também se utiliza de ingredientes de origem animal, vegetal ou mineral na elaboração de suas fórmulas, no entanto no Brasil não é permitido pela Anvisa a entrada de fórmulas com ingredientes animais, somente vegetais.
Uma fórmula fitoterápica chinesa poderá englobar seis ou mais plantas e cada uma delas com objetivos bem definidos, que vão desde impedir efeitos colaterais indesejados a encaminhar os agentes principais ao local da doença. Existe uma hierarquia nas plantas de acordo com o pensamento deles. Olham pela energia da planta, não como uma farmacologia técnica.
A produção e a colheita influenciam na qualidade, ou seja, a qualidade do princípio ativo, manutenção do princípio energético e o poder curativo dependem da característica do cultivo, momento da colheita característica da terra, ciclo da lua, estação do ano, hora da colheita, método de secagem e armazenamento.
É verdadeiramente uma arte a favor do nosso equilíbrio físico, emocional e energético.
As plantas são classificadas de acordo com o caráter energético, ou seja, cada uma tem uma natureza, um sabor, canal energético que ela penetra e direção da energia. Por exemplo, quando comemos pimenta normalmente sentimos um calor e até transpiramos, porque ela tem uma natureza quente, penetra nos canais de pulmão, baço e estômago, tem um sabor picante, e a direção energética é para cima e para fora, por isso vem a transpiração (conhecida como diaforese).
Na medicina moderna, os medicamentos tratam o sintoma, na Medicina Chinesa buscam estabelecer o equilíbrio. Portanto, um paciente com muito calor interno deve evitar comer alimentos com a natureza quente e deve ser tratado com ervas que esfriem esse calor para que ocorra o equilíbrio das energias Yin e Yang. Por isso a importância de unir a dietoterapia chinesa ao tratamento, pois as duas possuem a mesma raiz. Sempre que necessário oriento o paciente aos cuidados que deve ter para dar sua contribuição ao tratamento, porque na verdade o paciente se autocura, o terapeuta é um agente facilitador nesse processo.
Outro exemplo que posso citar, muito comum na prática clínica, um paciente com gastrite, para a medicina chinesa, tem calor no estômago, se continuar comendo alimentos de natureza quente vai aumentar o sintoma. Quero abrir aqui um parêntese para ressaltar que quando falamos de alimento quente não é a temperatura que ele atinge por ir ao fogo, e sim a natureza intrínseca dele. Parece incongruente repetir isso, mas é uma dúvida muito comum em consultório, mesmo depois de explicado.
No oriente é muito comum e até cultural o chá em suas refeições e mesmo fora delas. A fitoterapia também é feita em forma de chás, no entanto, no ritmo em que vivemos e pelo paladar que é muito diferente da cultura deles, utilizamos cápsulas ou pílulas, para facilitar, porque a elaboração de uma única fitoterapia às vezes demora horas no seu preparo, não é simplesmente ferver a água e pôr as ervas em imersão. Além do sabor forte, que por vezes não aguentaríamos tomar.
Outro fator muito importante é que mesmo sendo somente ervas, como é muito comum ouvirmos falar (é natural, não faz mal), jamais ela deve ser tomada sem a orientação de um profissional formado em Medicina Chinesa, pois deve ser prescrita mediante uma anamnese muito bem elaborada (incluindo a observação do pulso e da língua), para que se chegue com segurança à síndrome energética que está causando qualquer sintoma, porque do mesmo jeito que ela pode equilibrar nossa saúde, se prescrita de forma indevida, pode gerar desequilíbrios mais sérios. A prescrição não deve ser feita para o sintoma, e sim para o paciente, que é totalmente individual em todos os aspectos.
“Toda substância pode ser um veneno. Somente a dose correta diferencia o veneno do remédio” (Paracelsus).

Por: Ana Paula Araújo
Crefito: 24998-F
Fisioterapeuta e acupunturista
Contato: 94781-9852
anapaula.fisio.acupuntura@gmail.com

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