Doença hemorroidária

Postado em 31 de outubro de 2019

A doença hemorroidária é um dos mais antigos distúrbios já descritos na história da humanidade, tendo sido descrita na Bíblia como uma das punições aos filisteus por capturarem a Arca Sagrada. A palavra “hemorroida” vem do latim e significa “fluxo de sangue”. A palavra hemorroida, por si só, não indica doença, pois todos nascemos com três a quatro pequeninos coxins (bolinhas) dentro do ânus, precisamente ao redor de 1,5 cm acima do rebordo anal, que tem a função de ajudar no mecanismo de continência e levam o nome de hemorroidas. Quando estas estruturas começam a manifestar-se através de sinais e sintomas, passam a chamar-se de doença hemorroidária. A doença hemorroidária pode ser classificada de interna, se localizada no interior do canal anal, podendo inclusive exteriorizar-se. De outra forma, se localizada na pele do ânus é chamada de doença hemorroidária externa.

Interna
A doença hemorroidária é dividida em 4 graus.
Primeiro grau: sangra e é indolor;
Segundo grau: sangra, é indolor e exterioriza-se em momento de esforço quando da evacuação, principalmente de fezes endurecidas. Retorna espontaneamente para o canal anal;
Terceiro grau: sangra, é indolor e exterioriza-se após o esforço evacuatório, sendo que na maioria das vezes retorna para o canal anal após manobra digital instintiva do paciente portador deste distúrbio. Pode desenvolver prurido ou incômodo;
Quarto grau: sangra e uma vez exteriorizada sofre agressões externas (papel higiênico, evacuações endurecidas de forma repetitiva), desenvolvendo reação inflamatória crônica e assim muita secreção muco-sanguinolenta e prurido, gerando muito incômodo ao paciente.
Diferentemente do que se pensa, a doença hemorroidária clássica não tem como principal queixa a dor. Sabidamente as hemorroidas habitam o final da mucosa retal, onde não existem nervos responsáveis por transmitir sensação de dor.
A teoria mais aceita como causa da doença hemorroidária interna é a perda de fixação desses coxins constituídos por tecido de sustentação, veias e artérias. A doença hemorroidária não tem relação com varizes. Definitivamente não são varizes!

Externa
São chamadas de doença hemorroidária externa as tromboses hemorroidárias externas que são na realidade coágulos no interior das pequenas veias na pele da região anal e perianal. A rigor não se tratam de hemorroidas, mas são assim chamadas pela consagração do uso. Aqui sim existe a formação de nódulo endurecido, cor vinhosa e extremamente doloroso, pois diferentemente da doença na modalidade interna essas tromboses estão em pele, ou seja, existem nervos responsáveis por transmitir a sensação da dor. Neste caso, também há a possibilidade de sangramento, mas muito mais vinhoso do que na doença interna, que por sua vez sangra com aspecto vivo e rutilante.

Por que surgem?
As internas geralmente surgem por evacuação endurecida, hábito de leitura por muito tempo sentado na privada e, mais raramente, sem causa detectada. Já a doença externa pode surgir após grandes diarreias, evacuações endurecidas, esforços físicos, em gestantes ou mesmo em pacientes acamados.

Tratamento clínico
– Normalizar hábitos alimentares e consequentemente evacuatório. Alimentação rica em fibras, encontradas na rúcula, alface, agrião, couve, mamão, laranja, dentre outros. Hidratar-se com pelo menos 2 litros de água ao dia.
– Abolir o papel higiênico e substituí-lo pela higienização com ducha higiênica, algodão umedecido em água ou, em última hipótese, lenço umedecido neutro.
– Uso de pomadas tópicas e supositórios variam muito com o tipo e graduação da doença.

Tratamento cirúrgico
São inúmeras as técnicas que podem ser empregadas, mas em número muito pequeno de pacientes, ao contrário do que se imagina. A cirurgia é indicada apenas para doença hemorroidária de terceiro e quarto graus, e o pós-operatório é um tanto desconfortável.
Uma coisa é comum a todos os métodos clínicos e cirúrgicos: mudança de hábitos alimentares e hidratação abundante.

Por: Dr. Paulo Fernando Camelo Nunes
CRM 66224
Mestre em cirurgia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
Especialista em videolaparoscopia pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica
Contato: 4858-1081 / 3502-6200

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