Doença da vesícula biliar

Postado em 2 de julho de 2019

Das diversas doenças que podem acometer a vesícula biliar, a formação de cálculos (pedras) é a mais comum. As mulheres são mais propensas a desenvolver cálculos por causa do estrogênio e a hereditariedade pode promover mais chances de tê-los.
A vesícula biliar é um órgão em forma de saco, semelhante a uma pera pequena, localizada abaixo do lobo direito do fígado. Sua função é armazenar a bile, líquido produzido pelo fígado que atua na digestão de gorduras no intestino.
Sintomas de que você pode ter pedras na vesícula: dores abdominais embaixo das costelas à direita, às vezes refletindo nas costas, mas não invariavelmente na boca do estômago e até no peito, simulando infarto. Geralmente tais queixas ocorrem depois de ingerir alimentos ou líquidos que tenham em sua composição a gordura. Isso ocorre cerca de 30 minutos e até 3 horas depois de comer. Alimentos como banana, abacate, coco também são grandes estimulantes da contração da vesícula biliar, que com pedras causaria as dores do tipo cólica associadas a náuseas e vômitos. As diarreias também podem ser manifestação da doença calculosa da vesícula biliar.

Cirurgia da vesícula biliar
Quando existem cálculos que provoquem os sintomas acima citados na maioria das vezes a vesícula deve ser retirada por cirurgia.
O método mais utilizado para a retirada da vesícula biliar é a videolaparoscopia, procedimento cirúrgico no qual através de 4 pequenos orifícios no abdome pode-se acessar a cavidade abdominal com uma câmera e pinças necessárias para a retirada da vesícula. Uma de suas maiores vantagens é a rápida recuperação pela ausência do corte.
A cirurgia tradicional ou “aberta” ainda ocupa seu lugar nesse tratamento cirúrgico, pois sempre existe a possibilidade da abertura da cavidade abdominal em casos de complicações ou dificuldades técnicas. Atualmente a robótica também tem sido utilizada para a cirurgia da vesícula, porém o alto custo associado a mínimas vantagens no resultado mantém a videolaparoscopia como melhor escolha.

Todos os pacientes com pedras na vesícula devem ser operados?
Nem todos! O tratamento cirúrgico deve ser individualizado, ou seja, apesar de existirem protocolos de tratamento indica-se o procedimento para aqueles pacientes com queixas relacionadas às pedras na vesícula. Além de tratar-se de um procedimento cirúrgico (não isento de riscos), em pequena porcentagem de casos o paciente pode tornar-se intolerante a alimentação gordurosa. Não é incomum a presença de diarreia, sensação de estufamento e dores após ingesta gordurosa mesmo após a retirada da vesícula. Alguns cedem com o tempo e poucos permanecem durante toda a vida. Daí a necessidade de haver explicação completa e com linguajar leigo por parte do cirurgião.
Na maioria das vezes o paciente é operado e recebe alta no dia seguinte.
Mas vale sempre lembrar que não existe cirurgia sem risco, sem corte e sem dor. Converse sempre com seu médico para esclarecer suas dúvidas!

Por: Dr. Paulo Fernando Camelo Nunes
CRM 66224
Mestre em cirurgia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
Especialista em videolaparoscopia pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica
Contato: 4858-1081 / 3502-6200

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