Baixa estatura e a deficiência de hormônio do crescimento (GH)

Postado em 20 de dezembro de 2018

O crescimento é um processo dinâmico, poligênico e multifatorial e representa um dos melhores indicadores do estado de saúde da criança.
Uma das queixas mais frequentes no consultório é referente ao crescimento. Apesar de evitarmos comparações, às vezes é difícil não olhar para o amiguinho da sala de aula e notar a diferença de tamanho exuberante entre eles e não se preocupar.
As crianças, mesmo apresentando a mesma idade e sendo do mesmo sexo, podem apresentar estaturas bem diferentes entre elas. Até certo ponto isso é absolutamente normal. A estatura de um menino de dez anos em puberdade, por exemplo, com certeza é bem diferente da estatura de um menino de dez anos que ainda não iniciou puberdade.
Uma das formas de identificar problemas no crescimento é observar se a criança demora muito para trocar a numeração de roupas e sapatos ou se ela se torna a menor da turma. Esses sinais são importantes e devem estimular os pais a procurarem um endocrinologista pediátrico.
Quando a velocidade de crescimento está diminuída para a idade cronológica ou ocorre um desvio importante do padrão familiar, toda investigação deve ser realizada, a fim de detectar o mais precocemente possível a instalação de doenças que possam reduzir a estatura.
Confirmada a baixa estatura, ou queda na velocidade de crescimento, ou desvio do padrão familiar, é de grande importância iniciar uma avaliação completa da criança. O diagnóstico é feito com base em um conjunto de informações, que leva em consideração principalmente o exame físico do paciente, avaliação da velocidade de crescimento, análise dos antecedentes médicos, gestacionais e de nascimento, radiografias para comparação de idade óssea, ressonância de hipófise, testes genéticos, dosagem sérica de alguns hormônios, além de testes hormonais mais específicos.
Uma das desordens mais comuns nesses casos é a deficiência do Hormônio de Crescimento (GH). O GH é produzido pela glândula hipófise situada na base do crânio, e está presente em todas as pessoas normais. É indispensável em todos os períodos de crescimento, e sem ele a estatura adulta normal não pode ser alcançada.
Caso seja constatada uma deficiência de GH, o paciente deve iniciar o tratamento hormonal o mais breve possível para que não ocorra prejuízo significativo na estatura final.
É importante salientar que o tratamento, nesses casos, deve ser muito bem indicado, pois não se trata de um tratamento simples, e assim como todas as outras medicações, apresenta efeitos colaterais, sendo, portanto, indispensável o acompanhamento de um médico especialista.

Por: Dra. Tamara Manfredi
Endocrinologista Pediátrica formada pela UNIFESP
CRM 151425
RQE 68422-1
Instagram: dra.tamaramanfredi

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